O chefe psicótico

Há alguns anos atrás, tive a idéia de escrever um roteiro baseado em algumas das idéias e personagens das 48 Leis do Poder. Esbocei um cenário com base em minhas experiências trabalhando em empresas – de algumas situações difíceis, algumas personalidades impossíveis, e criei um protagonista inteligente que navegaria nesse campo minado de colegas carreiristas. Fiquei particularmente interessado no personagem que seria o chefe, um tipo sádico que era uma mescla de vários chefes que tive ao longo dos anos, incluindo uma chefa particularmente insuportável.

Decidi fazer algumas pesquisas auxiliares na internet e descobri um subgênero completo do que é conhecido como “chefe psicótico”. Havia diversos sites/fóruns dedicados exclusivamente ao assunto. Eu freqüentava tais fóruns e tive contato com alguns membros que narravam histórias particularmente horríveis sobre a relação chefe-subordinado. Minhas idéias começaram a fazer sentido e ficou claro para mim que o personagem que eu estava criando com minhas próprias experiências era algo cada vez mais comum no ambiente de trabalho.

Reafirmo: para um chefe psicótico, nada está certo. Eles colocam armadilhas, pedindo que você faça as coisas, e não importa o quanto você se esforça para concretizá-la, está errado e você é culpado. Isso tende a inculcar muito medo em você (é o efeito da imprevisibilidade que descrevo em uma das leis do poder). Também haverá explosões de raiva ocasionais, não com muita freqüência, mas que ficarão na mente por semanas. Eles começam a ocupar grande parte do seu espaço mental, quando você retorna para casa, fica pensando no que fez de errado, o que pode fazer no futuro, como agradar ou desviar-se das punições. Isso começa a consumi-lo e você parece não conseguir melhorar a situação.

Esses tipos parecem se dar muito bem agindo dessa forma. Eles são ligeiramente caóticos. Você deve prestar-lhes atenção e conseguir-lhes coisas que as pessoas normais em regra conseguem por si próprias. Você deve pensar constantemente nas necessidades deles. E uma coisa que é particularmente irritante nesse tipo é que eles apresentam uma fachada agradável. Muitas vezes, você é o único a testemunhar sua feiúra, o que torna difícil reclamar a alguém sobre eles.

Descobri que muitos desses tipos podem ser bastante liberais: apóiam as melhores causas, defendem direitos femininos, ou o que quer que melhore sua aparência. Isso os ajuda a justificar para si mesmos suas faltas particulares. E você é como se fosse uma vítima que se sacrifica em prol do poder deles.

As chefas psicóticas podem ser particularmente diabólicas. Elas tendem a mesclar muita agressão-passiva, fazendo-o se sentir culpado por todo tipo de coisa. Aquela que mencionei anteriormente gostava de me torturar de diversas maneiras. Havia reuniões semanais muito aborrecedoras, relevantes apenas para um seleto grupo, porém todos tinham de comparecer. Planejávamos uma série de maneiras de distrairmo-nos, dizendo que tínhamos de atender ligações importantes no momento ou o que quer que fosse. Certo dia, apanhei um jornal à minha frente e observei que havia o passatempo de palavras-cruzadas por fazer.

A chefa psicótica passou por mim e viu, fazendo uma piada grotesca comigo. Eu mostrei que não havia rabiscado palavra alguma ainda, mas isso só piorou a situação. Compreenda: você não deve se justificar na presença deles. Agora, toda vez que a chefe olhava para mim durante essas reuniões, eu tinha de disfarçar até mesmo meu desejo de ir embora.

Menciono isso aqui porque em conversas com amigos a respeito do meu roteiro, percebo que tal tipo está em proliferação. Muitos vêm até mim pedir conselhos sobre como lidar com esse tipo de chefe. Essa é uma das mais difíceis “nozes estratégicas” para se quebrar. Eu me refiro a esse tipo de pessoas no livro “As 33 Estratégias de Guerra” como terroristas. Eles utilizam o mesmo tipo de estratégia – infligem uma forma de terror psicológico que é maior do que qualquer ameaça física ou real. Você encontra esse tipo em relacionamentos, encontra em crianças que agora usam tal estratégia contra seus pais, gritando e agredindo com grande violência. É quase impossível lidar com eles, e a única resposta é ceder a eles, ceder ao terrorismo. Claro, isso apenas alimenta o processo.

Retornando para a história que comecei 5 anos atrás. Minha pergunta para você é: esse fenômeno já atravessou seu caminho? Você poderia compartilhar algumas histórias? Você acha que esse fenômeno é mais freqüente agora do que antes? Qual sua contra-estratégia para lidar com isso? Tenho minhas próprias respostas que desenvolvi ao longo dos anos e compartilho com pessoas que se encontram nesse tipo de situação. Revelarei isso em algum tópico, mas por ora, quero ouvir suas próprias experiências.

Como nota de rodapé: o maior chefe psicótico da história foi Joseph Stalin. Pesquisei sobre ele e descobri um livro sobre ele, o qual recomendo: Stalin, de Edvard Radzinsky. É um dos livros mais fascinantes, arrepiantes e brilhantes que já li.

Original: http://powerseductionandwar.com/the-psychotic-boss/

 

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