De rappers a esportistas

Na semana passada, enquanto estava em Nova York a negócios, consegui uma reunião particular com o rapper 50 Cent. Esse foi nosso segundo encontro, tendo em vista já termos almoçado há alguns meses atrás. Eu não sou o tipo que se impressiona com celebridades, pois convivia com muitos deles em Hollywood. São do tipo que sempre mantêm em defensiva e usando máscaras. O uso de tais máscaras não é interessante para mim. Prefiro muito mais conversar com motoristas de táxi, garçonetes, até mesmo vendedores de seguros, sem falar dos pintores e criminosos, que me fascinam. Não consigo nem imaginar eu sendo casado com uma celebridade/atriz, e conviver com o pesadelo de viver encarcerado num mundo de falsidade e hipocrisia.

Porém, rappers são diferentes. Eles vêm de um lugar muito real e não importa o quão alto sobem na escalada do poder, eles permanecem ligados ao passado. Confesso que não tenho muita experiência com tais tipos – conheci Ludacris, falei ao telefone com Busta Rhymes (o qual encontrarei na semana que vem), e agora Fifty. Mas o que sinto em tais encontros é que eles não são apenas músicos, mas sim, estrategistas convivendo constantemente em guerra na indústria mais hostil conhecida pelo homem. Dentre eles,  percebo que Fifty é um estrategista supremo.

Nas duas horas que passei com ele, ele me contou sobre suas várias rixas com outros rappers, sobre o negócio da música, sua carreira no cinema, seus dias de traficante, etc. Mas não era tanto o conteúdo que me interessava, mas sim, sua perspectiva da vida que estranhamente lembrava a minha. Ele gosta de analisar tudo friamente, ver as coisas como um jogo, observar as manobras dos diversos jogadores que cruzam sua vida, desmontando as tentativas dos outros que tentam obter vantagem sobre ele. Como eu, Fifty é obcecado por histórias de guerra e dos grandes generais. É intensamente competitivo, fazendo com que os outros não queiram trocar faíscas com ele. E  não farei isso, prometo! Porém, apesar da imagem de bandido que ele cultiva, ele me soa muito estrategista. Talvez o Muhammed Ali dos rappers. É inteligente, calculista e, se você me conhece, sabe que tenho um grande apreço por tais qualidades.

Pessoalmente, Fifty tem um tremendo carisma, se encaixando perfeitamente no perfil Carismático que descrevi no “A Arte da Sedução”. Carismáticos geralmente vêm de famílias desestruturadas, e se voltam para o público no intuito de chamar a atenção e receber o amor que não recebiam de seus pais. Ele é encantador e surpreendentemente receptivo. Não dá pra compartilhar tudo o que discutimos nessa reunião, mas farei um resumo. De qualquer forma, recomendo que leiam a biografia dele no livro “From Pieces to Weight: Once Upon a Time in Southside Queens”. É muito melhor que o filme baseado no livro: “Fique rico ou morra tentando”.

Como parte da minha viagem para NY, ganhei ótimos ingressos para um jogo dos Yankees, e tal jogo estimulou os pensamentos que aqui exponho. O jogo foi contra os Red Sox. O estádio estava lotado. A medida que o jogo avançava e mais cerveja era ingerida, brigas começaram aqui e ali. Posso garantir que há uma animosidade declarada entre os torcedores de ambos os lados. Foi um jogo caloroso e as emoções gritavam alto, apesar do fato de os Red Sox já estarem fora dos Playoffs.

Eu cresci como fã dos Dodges, e nós, nascidos em Los Angeles, podemos nos declarar rivais dos Giants, mas se alguma vez você for a um jogo no estádio dos Dodges e assistir um jogo, irá se surpreender com o quão mansos são os torcedores dos Dodges. Isso me incomodava. Os esportes, para mim, devem ser uma válvula de escape para nossos impulsos agressivos. O que me atrai nos esportes e eu sou um fanático, é o elemento competitivo puro. Sem besteiras, sem política, apenas os times se degladiando em campo. E, claro, as estratégias de certo time lhes conferem uma vantagem imediata.

O que vejo hoje em dia é que a estratégia nos esportes vem aparecendo cada vez menos. Parte disso decorrente dos enormes salários que os jogadores recebem. Eles se vêem como parte de um clube de milionários. Eles não tem nenhuma animosidade para com o outro lado. São amigos. Parte disso vem de nossa cultura de politicamente corretos. E também, as pessoas que acompanham os times pelo país já não possuem laços tão profundos quanto costumavam ter. Porém, durante as três horas que passei no estádio dos Yankees, senti-me transportado de volta ao passado quando o ódio, uma emoção inerente do ser humano, poderia ser canalizado para um jogo, e foi emocionante.

Eu era um anti-Yankee quando voltei para casa, mas eu apreciei pra caralho a paixão que eles traziam para o jogo. Isso me deixou invejoso e com vontade de mudar para NY.

Finalmente: tenho uma coluna na revista Maxim chamara Work Wars. O título fala por si só e se você tiver algum assunto ou história, eu o incentivo a passar-nos. Vamos criar uma seção para suas idéias. Procuro por histórias de guerra no seu trabalho, pessoas manipulativas que você teve de lidar, conselhos que você precisa desesperadamente. E posso lhe citar na minha coluna. Por favor, me ajudem. Obrigado.

Original: http://powerseductionandwar.com/from-rappers-to-sports/

 

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