Honestidade é a melhor política?

Em um dos comentários do meu primeiro post do blog, o leitor “James” escreveu algo que mexeu comigo, porque é uma ideia que ouço muito: isto é, que é um comportamento aceitável criticar  rispidamente alguém em alguma linha de trabalho e se essa pessoa não leva isso de forma construtiva, é culpa deles.

Estou ciente que James provavelmente quis dizer algo mais refinado, como “às vezes a abordagem direta funciona”, e eu concordo com isso. mas para aqueles que  consideram a honestidade como melhor política de todas, eu não possa disfarçar meu desgosto e desprezo por tal ideia.

Deixe-me dizer isto sobre pessoas que acreditam que apenas ser honestas e diretas com a crítica: seus motivos geralmente não são nem um pouco puros e honestos. Muitas vezes existe uma corrente oculta de hostilidade dirigida ao alvo; eles próprios se sentem inseguros, ou na necessidade de afirmar o seu poder. Uma pessoa que realmente se preocupa em expressar uma crítica de forma construtiva olha para o indivíduo que ele ou ela está enfrentando e decide, estrategicamente, o que vai funcionar, o que vai melhorar o desempenho do alvo no longo prazo. Colocar alguém para baixo não funciona, a menos que seja parte de um plano criticar e depois fortalecer – o que eu chamo de dureza e bondade estratégicas. O editor sádico que eu estava enfrentando não estava sendo estratégico.

Para realmente se comunicar com outra pessoa, às vezes você precisa aplicar psicologia reversa (funciona bem no teimoso), às vezes você precisa disfarçar sua crítica, começando com um pouco de elogio, como esconder uma pílula dentro de um pedaço de doce. E às vezes um pouco de franqueza pode funcionar, como um despertar. Mas eu acho que todos nós podemos sentir, em retrospecto, quando alguém estava sendo estrategicamente direto e nos despertando, ou simplesmente sendo sádico.

Alguns de vocês acham isso muito sensível? Tudo bem. Seja tão brutalmente honesto e direto com os outros como você gostaria e veja onde isso te leva nos negócios, em relacionamentos pessoais, etc. Se meus livros são sobre uma coisa, essa coisa é sobre ter um efeito sobre este mundo, não jorrando sentimentos apenas porque isso parece o caminho mais fácil de tomar.

Todos nós encontramos isso nos relacionamentos: aquela pessoa irritante que acredita que está tudo bem em criticar-nos de uma maneira franca, dizendo-nos por que somos esses idiotas, dissecando todas as coisas ruins que já fizemos, etc. Todos nós sabemos que isso não funciona, não nos faz de repente se arrepender e se render. E isso não funciona porque sabemos que a vida não é oito ou oitenta. Eu não sou um escritor terrível, eu não sou uma pessoa irremediavelmente ruim. Quando as pessoas são tão diretas, as sombras e nuances estão faltando. Elas estão exagerando. Elas estão nos colocando para baixo. Elas estão nos fazendo sentir mal. E elas conseguem disfarçar tudo isso com a pose superior de serem honestas e francas.

Entenda uma e somente uma coisa de meus livros: ao comunicar uma ideia, seja no poder, sedução ou guerra, você deve considerar a forma com a qual você expressa isso, não apenas o conteúdo. A forma com que fala é crítica e deve ser estratégica, projetada para atravessar as defesas das pessoas. Aqueles que não conseguem entender isso não conseguem se comunicar e merecerão os becos sem saída que encontram na vida. Acredite em mim, eu sei: eu tenho visto muitos desses tipos “honestos” atingirem becos sem saída no poder. Pense antes de falar, ou criticar.

Tradução do post original de: http://powerseductionandwar.com/is-honesty-the-best-policy/

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