Como conquistar o poder e influenciar pessoas

Original – Por Christopher Goodwin  em Agosto de 2006 no jornal The Sunday Times –

O sucesso do livro As 48 Leis do Poder, que vendeu mais de 700 mil cópias desde sua publicação em 1998, transformou o autor Robert Greene em talvez o mais importante – ou o mais maligno, de acordo com aqueles que criticam suas obras – influenciador sobre as decisões tomadas em Hollywood nos dias de hoje. Muitos capítulos do livro, como a Lei 14: “Banque o amigo, aja como espião” e a Lei 15: “Aniquile totalmente o inimigo” tornaram-se slogans em Hollywood, especialmente entre os mais ambiciosos executivos. Para eles, o livro de Greene é um inestimável manual sobre uso e abuso do poder. A influência de Greene também pode ser detectada em programas de TV, como a série de sucesso da HBO, Entourage – Fama e Amizade que conta a história de um empresário de Hollywood chamado Ari Gold, baseado em um personagem real (Ari Emmanuel) Muitos dos esquemas de Gold parecem ter sido tirados diretamente das páginas do “As 48 leis do Poder”.

“As 48 Leis do Poder” é surpreendentemente longo, denso e intelectualmente exigente por ser um livro que faz sucesso em Hollywood. Cita filósofos como Maquiavel, estrategistas militares como Clausewitz e políticos como Kissinger para ilustrar as lições de Greene sobre poder: como obtê-lo e mantê-lo.

“É um manual que ensina como jogar o jogo do poder e obter o maior sucesso possível” – explica o Maquiavel moderno de Hollywood. Vestido inteiramente de preto, Greene, aos 46 anos, está sentado em uma das últimas mesas de um restaurante perto de sua casa, em Los Angeles. “Manipular quando necessário, manter as pessoas desequilibradas, proteger-se dos predadores e utilizar charme para com aqueles ao seu redor, neutralizando a hostilidade alheia trará o seu sucesso”. Mas nem todo mundo se encanta com a falta de moral e remorso de Greene.

“Enquanto você lê, até chegar à lei 36, você fica se sentindo impuro, preocupado com sua moralidade”, escreveu um revisor. “quando chega à lei 44, você aceita que é mesmo imoral e o mundo é assim mesmo. Quando chega à lei 48 você já está doido para encontrar a primeira vítima para destilar e conquistar o poder”.

Não é surpresa que o livro de Greene se tornou a Bíblia dos Psicopatas. Greene escreveu em parte devido suas próprias experiências frustrantes como um subestimado e impotente roteirista de Hollywood. “Eu via tantas pessoas que buscavam o poder” diz ele “Mas nunca ninguém comentava explicitamente isso. É mais tabu que o próprio sexo. Você pode transar com sua irmã na frente de todo mundo que não soaria tão sujo quanto a busca incansável por poder. Pensei: preciso falar sobre quando alguém contrata alguém para fazer o trabalho e acaba ficando com o crédito. Quero falar sobre quando alguém responsável por contratar pessoas para um filme, contrata um diretor medíocre para que seja demitido para que ele mesmo assuma o projeto”.

“Vi pessoas muito talentosas e muito mais inteligentes do que as que estão no topo. Mais criativas até” – continua ele. “Mas nunca chegaram ao topo porque são ingênuas em relação ao poder. O livro foi em parte destinado a dar a essas pessoas ferramentas para operarem nesse mundo cruel. Acredito que o poder é a necessidade humana mais elementar. Não podemos suportar sentimentos de impotência ou inferioridade, ou de não ter controle sobre os eventos”.

Apesar da óbvia influência que Greene deve, a maioria dos executivos de Hollywood são tímidos em admitir o que fazem. Jonathan Baker, gerente de marketing da Sony Pictures Entretainment, diz que o livro é frequentemente usado pelos executivos que conhece. “Mas devido a natureza deles, você não vai escutá-los dizendo a importância que esse livro tem. Reconhecer que é influenciado por tal livro pode ser prejudicial. Você se abre e acaba sendo julgado de forma negativa. Mas não me importo de dizer que trombei com o livro em um período muito baixo da minha vida, e ele me deu muita clareza quando precisei”.

Na verdade, embora não possa revelar nomes, Greene trabalha nos bastidores como uma espécie de intelectual consigliere, um estrategista do poder para certas pessoas em Hollywood. Acredita-se que ele é conselheiro de Brian Grazer, produtor e vencedor do Oscar de “Uma mente brilhante”, “Apolo 13” e “O código Da Vinci”. , provavelmente o produtor mais bem sucedido de Hollywood.

Grazer não reconheceria abertamente a influência de Greene, mas um artigo do New Yorker indica a influência: “Grazer é um homem de máximas” – dizia o jornal – “Ele acredita que o jogo da vida tem regras, e a pessoa que descobre tais regras e as observa fielmente vai ganhar. Grazer desenvolveu um detalhado código de conduta que envolve quase todos os aspectos de sua vida e utiliza tal código com um fervor quase que supersticioso”.

O único executivo a quem Greene reconhece ser um conselheiro é Dov Charney, o chefe não convencional da empresa de roupas American Appareal. Charney usa Greene e as 48 Leis do Poder para planejar sua iminente mudança para o ramo cinematográfico. “Dov quer ser o Hugh Hefner de sua geração”, diz Greene. “E vou ajudá-lo a conquistar isso”.

Mas há algo ainda mais surpreendente do que a infiltração furtiva do livro em Hollywood. Greene, que se autointitula um “nerd branquicelo”, com diploma em estudos clássicos da Universidade de Wisconsin-Madison, tornou-se o improvável guru de rappers ex-malandros de rua.

As 48 Leis do Poder transformaram-se numa influência indispensável e é com frequência citada por muitos rappers, alguns deles sendo os mais bem sucedidos da América. Tais rappers, sendo a maioria negro, estão convictos em creditar Greene e seu livro por ajudá-los a transformar seus sucessos musicais em impérios de negócios, além de destruir seus inimigos.

“Existe uma lei que diz que a pior coisa que pode acontecer é você construir fortalezas em torno de si mesmo” – disse recentemente o rapper Jay-Z, referindo-se à Lei 18. “Foi o único livro que li na vida”, disse Kanye West em uma canção. O produtor de hip-hop DJ Premier tem a lei 5 tatuada no braço: “Muito depende da reputação – dê a própria vida para defendê-la”.

Greene está prestes a começar um trabalho com o rapper 50 Cent e um documentário sobre as ideias de Greene está sendo produzido pela QD3 – Quincy Jones III, filho de um produtor musical. O documentário explorará seu notável poder sobre as estrelas do hip-hop da América e sua crescente reputação como o Rasputin do rap. Seus dois livros “A arte da sedução” e “as 33 estratégias de guerra” também são famosos dentro da comunidade do hip-hop.

Todd Boyd, professor da Escola de Cinema e Televisão da Universidade do Sul da Califórnia, que também é negro, acredita que as 48 leis do poder são importantes para os principais rappers, “pois o livro faz muito sentido para uma cultura vinda das ruas. Para eles, ler o livro é como assistir o filme “Scarface”, que costumo chamar de “texto canônico do hip-hop”. Todo mundo do hip-hop sabe coisas do filme, como “Não se drogue com seu próprio produto””.

Para Greene, há mais do que isso. “Esses caras não tiveram qualquer acesso ao poder porque sempre foram excluídos” diz “pode ser que no começo tenham se influenciado com coisas do tipo Scarface, mas agora querem fugir da violência, estão famintos pelo conhecimento. Estão genuinamente empolgados por ter tais informações, porque sentem que nivela o campo de jogo para eles”.

Greene se diverte que, devido sua reputação como o Maquiavel moderno, até os mais renomados rappers ficam tensos quando vão conhecê-lo. “Eles esperam alguém muito intimidante, formidável”, diz ele “Claro que eu também fico tenso quando vou conhecê-los”.

“O poder, para mim, é baseado em aparência. É criar uma aura que emane poder”, ou, como diz a lei 32: “Jogue com a fantasia das pessoas”.

As principais regras:

Lei 2: Não confie demais nos amigos, aprenda a usar os inimigos.

Lei 3: Oculte suas intenções.

Lei 11: Aprenda a manter as pessoas dependentes de você.

Lei 17: mantenha-os em estado latente de terror – cultive um ar de imprevisibilidade.

Lei 24: Represente o cortesão perfeito.

Lei 30: Faça suas conquistas parecerem fáceis.

Lei 33: Descubra o ponto fraco de cada um

Lei 38: Pense como quiser, comporte-se como os outros.

Lei 42: Ataque o pastor e as ovelhas se dispersarão.

Lei 46: Não pareça perfeito demais.

 

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